Por onde começar a estudar música?

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Por onde começar a estudar música?

Excelente questão! E que até de certo modo apresentamos parcialmente em outras publicações. Uma publicação em especial tratou do assunto Como estudar música sozinho, em sete passos.

E vamos ressaltar alguns pontos e trazer novos argumentos dessa publicação sugerida por um leitor.

Ocorre que na publicação foi apenas pontual a abordagem, e o nobre leitor trouxe algo que antevê os sete passos, pedindo profundidade. Particularmente entendo a alfabetização musical (conhecimento da simbologia) como parte importante da aprendizagem e formação musical, mas ela não é determinante.

A alfabetização está para uma consolidação progressiva da formação musical, e que demanda uma combinação de fatores de musicalização, que é conveniente que seja anterior.

Estudar música é ação independente. E que primordialmente: foge ao nosso controle (explicarei melhor ao final do texto).

Não é preciso estudar um instrumento para aprender música – e isso é muito importante.

Em um primeiro momento sequer é preciso construir um ambiente, ou dedicar-se exclusivamente com tempo e hora marcada.

Estudar música é uma atividade prazerosa, intensa e desafiadora que parte da escuta.

Vamos estabelecer algumas sugestões ao nobre leitor:

1. Ouvir música sem barreira de estilo, ou gosto, é um excelente aprendizado.

Procure diversificar o repertório. Tornar-se eclético para uma visão coloquial. As diferenças  compõe algo primordial do conhecimento musical. Matizes, elementos primordiais. Atenha-se ao:

Pulso Constante – elemento extraído da prática musical que traz continuidade, que estabelece ostinato, e para tal a métrica.

Instrumentação – agrupamento musical que determina um estilo, um repertório, um gênero, um fonograma. Procure reconhecer o timbre de cada instrumento.

Exercite ouvindo uma mesma música repetidas vezes. Procurando em cada audição ouvir um instrumento em especial. A primeira vez a voz. A segunda vez concentrado na guitarra, a seguir no baixo, ou na instrumentação que houver no fonograma.

E para isso estabelecer elos com os valores musicais: melodia, harmonia e ritmo.

Que instrumento está realizando a melodia? Ou a harmonia? Ou o ritmo?

Como referência o saxofone, por exemplo, faz melodia. Assim como a flauta transversal, trompete, trombone. São notas emitidas de forma sucessiva.

O piano, o acordeom, o violão, o cavaquinho e a guitarra fazem harmonia na maior parte do tempo. E ocasionalmente realizam melodia.

A bateria, o pandeiro, são exclusivamente rítmicos. Embora ritmos todos fazem, por que há ritmo na melodia – como valor composto, tanto quanto na harmonia.

Procure cantar as melodias dos instrumentos.

Você se sente desafinado? Não se preocupe. Sua voz pode ser incompatível com determinada gravação. É possível transportar uma melodia para outros conjuntos de notas. Mudar o tom, como termo técnico. Se não deu pra cantar, procure outra gravação, outro artista, outro tipo de voz.

2. Tom maior e Tom menor

Parece algo complexo a priori, mas para alicerçar essa referência vamos estabelecer duas composições da música popular urbana como ponto de partida.

Trem das Onze, de Adoniran Barbosa, como referência de tonalidade menor.

Tiro ao Álvaro, também de Adoniran Barbosa, como referência de tonalidade menor.

A percepção do modo maior/menor contribuirá de forma determinante para consolidação de sua referência estética. A partir daqui chegarão outros processos mais pragmáticos. E aquela outra publicação dos 7 passos, atenderá.

Ouça Vai Passar, Chico Buarque e Francis Hime.

Que possui Tom Maior e Tom Menor. Inicia em tonalidade maior, e em 44 segundos passa ao tom menor. Em 1:11 regressa para um tom maior, regressando ao tom maior de partida em 1:36. Para em 2:02 novamente estar passar ao tom menor. Recomeça a música e o ciclo proposto na composição se repete.

Procure realizar essa percepção em cada canção que ouvir, reconhecendo a sensação do modo maior ou do modo menor.

Essa parte do aprendizado é primordial! Para mim, quem possui audição plena, já consolidou certa formação musical. E caberá ao educador consolida-la em símbolos e prática criativa ou instrumental.

Boa sorte!

#VemProSouzaLima

Ps: Caro leitor, se a questão era sobre teoria comece nos infográficos que disponibilizamos no BLOG sobre Altura, Duração, Intensidade e Timbre – elementos físicos do som que compuseram através da história a Partitura, há um bom percurso inicial.

Artido criado em 2018, ampliado e revisado em 23 de junho de 2022.

 

 

Pós Graduação
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Eu sou o Professor João Marcondes! Apaixonado por música e educação musical. Sou compositor e instrumentista com muita coisa publicada. Sou coordenador pedagógico dos programas Composição Popular - Letra e Musica, do Preparatório para Vestibular de Música (extensivo, semi-intensivo e intensivo), do Curso Técnico em Processos Fonográficos - Produção Musical, e da Pós-Graduação em Educação Musical da Faculdade e Conservatório Souza Lima - cursos que ocorrem na unidade Paraíso. Também coordeno programas livres como Arranjo para pequenos agrupamentos, Arranjo para agrupamentos médios, Composição Instrumental. E coordeno as unidades Moema e Alphaville desde 2010. Também atuo na instituição em tarefas administrativas, e sou diretor da editora Souza Lima. Sou autor do BLOG Souza Lima e do BLOG Souza Lima - Magazine Luiza! Meus livros e métodos estão publicados no KINDLE - Amazon em parceria com a Editora Souza Lima. E também de maneira impressa. Sou educador Musical, compositor, arranjador e instrumentista. Mestre em Educação Arte e História da Cultura, especializado em docência em música brasileira, graduado e técnico em música. Minhas composições e obras fonográficas estão disponíveis para audição no Spotify, Deezer e iTunes Music. Sou diretor e fundador da gravadora BAC Discos! Que lançou diversos artistas atuantes hoje na música brasileira. Conheça em www.bacdiscos.com/ Segue meu instagram; https://www.instagram.com/joaomarcondesoficial/